Dois dias, uma noite

Marion Cotillard procura convencer mais um trabalhador a abrir mão de seu bônus em Dois dias, uma noite, dos Dardenne.

Marion Cotillard procura convencer mais um trabalhador a abrir mão de seu bônus em Dois dias, uma noite, dos Dardenne.


Há um lado dos filmes dos irmãos Dardenne que cativa a seu projeto estético, uma vez que são um caso pouco usual num cinema contemporâneo, produzindo filmes que de fato tem uma percepção de classe. Por outro viés, eles não trazem absolutamente nenhum interesse em tentar construir algo que desafie, de fato, o seu cinema usual.

Em O Garoto da Bicleta existia uma pulsão, um descontrole que tomava conta do universo ao redor do protagonista, algo que norteava e dava sentido ao habitual câmera colada a nuca de seus personagens. Cá, tentando se aprofundar na depressão que angustia a existência da personagem de Marion Cotillard, não estou certo se de fato conseguiram fazer um encontro autêntico da sua estética a personagem. Seus altos e baixos, não alteram o peso do que se encena. Há a bondade quase angelical de seu marido, há a condição social precária que assombra o drama central dos personagens, mas tudo parece passar ali, como a tristeza incontrolável de sua personagem, num mesmo tom.

Até mesmo os repetitivos figurinos da Marion Cotillard me pareceram até um tanto reducionistas, tirando um pouco da força de presença que Marion tem. Como os Dardenne operam milagres no mundo caótico que representam, mais uma vez a tragédia em que se submete a protagonista a redime e aponta um caminho de sobriedade a ela. Como o menino que aprende o preço de um filho ou a obstinação da ‘mãe’ que se recusa a desistir do menino descontrolado, suas parábolas sempre levam para algum tipo de redenção espiritual. Só não estou tão certo se me venderem muito bem o real sentimento da depressão.

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Clouds of Sils Maria

Kristen Stewart em Clouds of Sils Maria, de Olivier Assayas

Kristen Stewart em Clouds of Sils Maria, de Olivier Assayas

Clouds of Sils Maria, ou Acima das Nuvens, é o último longa de Olivier Assayas a chegar por aqui. Seguindo a evolução natural de seus filmes desde Horas de Verão, arquiteta-se em cena o mesmo tipo preguiçoso de cinema de arte. Se ali se via ainda um respiro, um sentido maior, um caminho a ser traçado, os filmes recentes passaram a trabalhar sob um olhar quase publicitário na relação que estabelece com esse cinema de seguimento. Clouds of Sils Maria sobrevive a sua própria acomodação graças aos esforços das atrizes, em especial de Kristen Stewart, conferindo alguma graça e interesse a sua personagem. Juliette Binoche tem o domínio de cena de sempre ainda que sua personagem seja muito, muito chata. Tem de se dizer que o Assayas de outrora, pulsante, já não parece existir. O que resta pode cativar um ou outro, mas me parece mesmo algo bem preguiçoso, cheio de armadilhas para pegar espectadores deste circuito alternativo, o que aponta para uma desintegração moral de seu autor.

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Os Farrelly: a classe operária e o humor

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O pouco sucesso de Debi e Lóide 2 entre a crítica em geral reforça uma ideia de que Hollywood é feita de ciclos, onde o que funciona em dado momento nem sempre reflete o que a indústria irá absorver em outro. Por tanto, o tempo condenada cineastas brilhantes que teimam em manter seu estilo. Foi o caso de John Landis, por exemplo. Assim como Landis em seu tempo, os Farrelly sempre foram incisivos, sempre tiveram postura, desafiaram padrões e momentos políticos da América.

Se Landis desafiou Ronald Reagan para um duelo, a lembrar a sequência de abertura de Os Espiões que Entraram Numa Fria, os Farrelly voltaram suas câmeras para a classe operária. Menos uma questão de público alvo, e mais uma postura sobre a quem se deve olhar. Seus filmes são sobre a classe operária, não no sentido progressista. Tome There’s Something About Mary. Um grupo de sujeitos comuns se encanta e usa qualquer atitude disponível para se manter atrelado a ela. O detetive particular, o entregador de pizza, o jogador de futebol. Igualados em cena ao abandonarem a dignidade em troca de uma obsessão pela mulher perfeita. A maneira como se constrói esse micro universos, os fracassos, as pequenas relações.

Os Farrely valorizam o cotidiano, a rotina, para encontrar nessas brechas mundanas seu espaço para o humor. A pateticidade, desajeitado, aquilo que toma conta dos personagens, produzindo suas atitudes, espasmos, motivando uma ação física que constitui no humor mais puro. O que é mais farrellyano do que a senhora que mora com Mary, ou Don, o ex-jogador de futebol de sucesso na escola transformado numa psicótico ex-namorado, obcecado pelos sapatos de Mary.

A ideia de comunidade, coletivo de pessoas dispostas a viverem num espaço, numa vizinhança, num determinado modo de vida, é o que permeia esse universo. Cada personagem pertence a este mundo, a este lugar, a esta comunidade. Se em Mary há um tanto de estilo fabular, com as inserções musicais e tudo mais, é apenas a sua maneira de definir, colorir esse universo. Norm, o entregador de pizza, transformado em Tucker, o arquiteto. Quando postos frente a frente, ele e Pat Healy, o canastrão, interpretado por Matt Dillon, logo encontram um respeito mútuo. Como não entender alguém que faria qualquer coisas para estar perto de Mary?

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Top 10 2014

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Já avançamos para o mês de março, mas não publiquei por aqui ainda os meus preferidos de 2014, resolvi trazer pra cá a lista que originalmente foi montada para ser publicada pela Interlúdio no tradicional período de avaliação de 2014 (a lista completa da revista). A lista respeita os lançamentos na cidade de São Paulo em 2014.

1) Era uma vez em Nova York/The Immigrant, James GRAY
2) O Gebo e a Sombra, Manoel de OLIVEIRA
3) Toque de Mestre/Grand Piano, Eugenio MIRA
4) Boyhood – Da infância a juventude, Richard LINKLATER
5) Jersey Boys – Em busca da música, Clint EASTWOOD
6) Tudo por um furo/Anchorman 2: The legend continues, Adam MCKAY
7) Bem-vindo a Nova York/Welcome to New York, Abel FERRARA
8) Amar, Beber, Cantar/Aimer, Boire et chanter, Alain RESNAIS
9) Trapaça/American Hustle, David O. RUSSEL
10) Débi e Lóide 2/Dumb and Dumberer To, Peter e Bobby FARRELLY

Mudaria, hoje, talvez a entrada de Ciúme, do Garrel, entre os dez, mas em janeiro optei por estes escolhidos. Há americanos com financiamento europeu, e europeus com financiamento americano. Foi um ano ruim, não por estes filmes que são todos de interesse considerável, nem por alguns outros que também o eram, mas pela média geral do circuito. É possível afirmar que o circuito representa cada vez menos a realidade de um ano, mas é necessário fazer uma avaliação precisa em retrospecto. O cinema europeu sempre dependeu dos grandes autores, produzindo toneladas de lixo genérico. Enquanto os americanos sempre foram excelentes artesões. Algo se perdeu na história. Na lista, temos o último filme de Alain Resnais, falecido, e o possível último longa de Oliveira, cujos problemas de saúde são limitadores aos 106 anos. Quando olho para listas de 2003, 2004, nos tempos da Contracampo, encontrava diversos filmes americanos de gênero entre os vinte, trinta melhores. O número de bons filmes era maior. Eu gosto muito de O Âncora, um filme que ocupa posição especial no referencial da década passada. No entanto, nem cogitei lista-lo entre os melhores de 2004. Jersey Boys é um ótimo filme, merece sem dúvida a atenção de todos, mas certamente não é um dos melhores filmes do cineasta. A minha impressão, e pode ser só uma impressão, é que o cinema europeu continua no mesmo lugar, estagnado, dependendo de suas estrelas, enquanto o americano perdeu uma certa tradição. Piorou. Cada vez se aparente mais com o do velho continente. Assustador.

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Sin City: A Dame to Kill For

Demorou um bocado para que Robert Rodriguez e Frank Miller conseguissem fazer este segundo filme baseado no universo de Sin City. Na altura em que ele chega, já não se é novidade a tecnologia, existe a saturação dos universos trazidos das graphic novels para o cinema. E há uma certa… preguiça. Se o primeiro filme dividia os bons críticos entre os que se interessavam pela fábula agressiva e charmosa da dupla, e os que se enojavam com o discurso grosseiro e fascista, desta vez imperou o silêncio. Pouco se diz, pouco se viu. O mercado dita muito, mas não é só ele o responsável.

Joseph Gordon-Levitt em SIN CITY: A DAME TO KILL FOR/SIN CITY: A DAMA FATAL (2014)

Rodriguez não deu ao filme o mesmo esmero dramático que realizou no primeiro. Apesar de cruzar as histórias, o primeiro era muito bem articulado, estruturava os cruzamentos, integrava o universo. Desta vez fomos arremessados no meio do mundo e largados por lá. O filme parece desinteressado em organizar um discurso, um ponto de vista. As histórias se misturam de maneira menos homogênea, meio tosco mesmo.

Até uma sacada legal como a de que Josh Brolin seria o rosto de Dwight antes dele tornar-se Clive Owen, parece desperdiçada em cena. Mesmo com o talento invejável de Brolin, esse seguimento com o protagonista da famosa Grande Matança é terrível. Chega a dar sono. Nem explorar as curvas de Eva Green parecem ter feito direito. O melhor dos seguimento me parece o de Joseph Gordon-Levitt, primeiro porque ali parecemos ver uma fagulha de vida no mundo de Sin City, o que havia no primeiro longa. O frescor de ver um personagem novo, traçando sua trajetória, e a inevitável tragédia deste confronto entre Gordon-Levitt e Powers Boothe, um duelo de atores soberanos, realmente é muito bom. Minha impressão é que Robert Rodriguez tanto quis se afogar no filme B, que em Machete 2 e Sin City 2 ele conseguiu virar uma versão comum e preguiçosa destes mundos, o que talvez ele veja como algo coerente.

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Fright Night e o processo da fé

O filme que colocou Tom Holland no universo dos realizadores de horror de relevância, é um dos mais notórios do gênero em um dos períodos mais férteis do cinema americano. Embora seja possível afirmar que nem se trate de fato de um filme de horror, se filiando estruturalmente mais as grandes aventuras noturnas que norteavam o imaginário ficcionista dos anos 80. Como Into the Night, Sem Licença para Dirigir e tantos outros filmes da época, Fright Night é uma aventura cheia de sombras e percalços, personagens céticos, cínicos, maníacos. O que dizer daquele personagem medonho que Holland cria para ser o “amigo” do protagonista Charlie Brewster, apelidado em momento feliz de EVIL. Somente o mau pode explicar sujeito tão abjeto quanto a performance sugere – não é um dos momentos mais agradáveis do filme, mas é coerente com sua proposta.

A despeito de ser um filme de ambição moderada, é fácil fazer uma leitura bem séria dos cacoetes aqui dispostos, como o vilão de Chris Sarandon, um sujeito cujo carisma seduz homens e mulheres. Ou o fato de que o filme consegue prover mistério mesmo jogando sempre com suas cartas abertas, já que sabemos desde a primeira cena que se trata de um vampiro a Drácula. O mistério aqui está na desesperança – é óbvio que só irão acreditar em Charlie no momento em que ele já estiver em desvantagem frente ao seu inimigo.

Roddy McDowall tem a marcante performance como Peter Cushing, recuperando certo ideal de star power que norteava as produções mais baratas de dentro da indústria. Sua iconoclastia, em conflito com a real inaptidão do personagem, é o ponto alto de um filme cheio de qualidades. Esta versão de Cushing terá de se refazer crente, acreditar que ele mesmo é aquele grande caçador de mortos-vivos. Neste processo de fé, Roddy McDowall se torna um pêndulo para o filme – é nele que reside a transformação. Somente encarando tornar-se seu próprio personagem, ele poderá expiar os elementos do mau que assombram este bairro comum da América; para isso, ele terá que realmente acreditar em algo maior, menos egoísta e mais puro, ao empunhar sua mais forte arma: a cruz.

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Uma ideia sobre o fim do mundo – 4:44 Last Day on Earth + Estado de Sítio

Escrevi este texto há um ano e meio atrás, com a intenção de publica-lo na Revista Interlúdio. Na época acabou não entrando pelo período que a revista passava, e o fato do filme do Ferrara não ter dado sinais de estreia. Atualmente se encontra ele facilmente tanto nos melhores fóruns de torrent quanto em serviços tipo Netflix, assim como Estado de Sítio está no YouTube. Na íntegra, sem mexer em nada do texto original.

Uma ideia sobre um fim do mundo

4:44 Last Day on Earth, Abel FERRARA (2011)

Estado de Sítio, Leonardo AMARAL, Samuel MAROTTA, Gabriel MARTINS, Maurílio MARTINS, André NOVAIS OLIVEIRA, Leo PYRATA, Flávio C. von SPERLING e João TOLEDO (2011)

O fim do mundo é uma das peças de representação que o cinema reimagina com grande frequência. No entanto, é mais comum vermos contos apocalípticos que criam uma ideia do que seria o mundo pós os eventos, geralmente frutos de epidemias ou eventos fantásticos, separando ou recriando uma sociedade com os sobreviventes. Recentemente tive a oportunidade de encontrar estes dois filmes, díspares tanto na experiência como na relevância canônica de seus autores, mas que, no entanto, possuem um olhar sobre o fim do mundo com incontáveis pontos de contato.

Antes de discuti-los, é bom falar mais sobre o conceito do apocalipse e sua constante retomada. Porque isso, me parece, é cada vez mais um objeto de criação, especialmente nas mãos de cineastas que evidenciam sua formação cinéfila, como o caso do Estado de Sítio e seus autores mineiros. E também é o caso, veja só, de roteiros que o crítico aqui escreveu, ainda sem leva-los as telas. E é interessante observar que embora o Estado de Sítio anuncie o fim do mundo para depois apenas lança-lo como uma sombra sobre os personagens, a abordagem que o filme dá ao tema é extremamente similar a que eu intento, mesmo que meus roteiros imaginem uma dimensão pós-apocalíptica. Em ambos, o que surge é uma tentativa, obviamente fadada ao fracasso, de sociedade utópica e autoconsciente. Já no 4:44 Last Day on Earth de Ferrara, estamos diante de um olhar muito mais frontal do que no dos cineastas mineiros. Frontal porque o mau do mundo é incontornável. Não se oferece saídas, mesmo que os personagens do outro filme tenham de fato a consciência de que não irão escapar, a eles cabe o gozo dos momentos que lhe restam. Ao personagem de Willem Dafoe, Cisco, resta apenas o desespero: o sentimento de não poder mais ter qualquer controle sobre o mundo.

O Estado de Sítio apresenta o caminho inverso do road movie americano, que eternamente será fonte de criatividade para os cinemas novos. Aqui, a estrada, a continuidade, está atrás do carro no início do filme, para não mais ser visto – acompanhado das chamadas no rádio, nos informando que o fim do mundo se aproxima. Os personagens se esgotam ao fim do filme, sentados aguardando o nada, no momento em que desfrutam de suas últimas cervejas, num destes momentos típicos do filme-de-galera. No entanto, é uma imagem quase melancólica, se tivesse alcançado mesmo sua potencia maior.

A trajetória de Ferrara não é diferente em sua introdução, ao poluir o filme com seu bunker – que deve ser a morada de Abel –; um loft, cheio de formas brutas de arte e acima de tudo de informações brotando de TVs, computadores, celulares e afins. Todos ligados ao mesmo tempo, ecoando noticias de diversas formas e apresentando líderes de todos os tipos de filosofias discursando sobre o que virá. Mas não vemos um caminho a ser deixado como o visto no filme anterior, há apenas a angústia da impotência – a imagem então que Ferrara busca ao longo do filme. Enquanto Cisco anda pelo apartamento, tenta contato com pessoas pelo Skype, observa uma NY que parece seguir seu rumo natural, embora de forma entristecida pelo olhar de Ferrara, ele vai progressivamente tentando lutar contra si mesmo, quase não se contendo em si. Em dado momento, sai pelas ruas, após brigar com a esposa, e permite a si um último delírio nova iorquino. Vê muitas daquelas figuras caídas pelos becos que já vimos antes na obra de Ferrara, no entanto Cisco já não consegue andar entre eles com a mesma naturalidade. Tenta suplicar ao seu velho amigo, o traficante, para que lhe dê um último alívio. Ele tenta, mas não é capaz, porque Ferrara jamais permitiria ao filme uma fuga deste porte àquilo que ele lhe obstinou buscar. O filme irá testemunhar, a sua forma, a sua imagem, um fim do mundo, e seu personagem estará ali, sem a possibilidade de se esquivar do mau do mundo.

Em ambos os filmes observamos um mundo que não para de se mover diante do momento do apocalipse – como se eles aguardassem ali que, de repente, as coisas não acontecessem. Ou talvez porque sejam mesmo zumbis, seguindo sua rotina. A segunda ideia cabe mais no Ferrara, onde vemos Nova York no seu dia-a-dia comum, através do apartamento de Cisco. Há ainda o entregador, um garoto chinês, trabalhando normalmente ao entregar o jantar do casal – embora, de fato, ele tenha direito a seu momento despedida em cena. Mas há um lado esquisito, de um caminhar realmente morto-vivo aos seus personagens não-centrais.

No Estado de Sítio, embora tenhamos os planos longos onde os personagens parecem devorados pelo nada, os personagens centrais possuem brilho, e se aparentam estar de fato caminhando para o fim do mundo, não se debatendo contra isso como lá no Ferrara, não os chamaria de personagens sem vida. Eles a tem – enquanto puderem beber. No entanto, vemos no filme um ir e vir dos personagens, talvez ajudado pela falta de um ponto de vista que o filme passa – ele conquista isso em algumas sequências, apenas para abandona-lo em seguida – que parece imerso num novo tipo de cotidiano, não muito diferente das ruas do Ferrara. E vemos aquela sequência em que os meninos recebem a visita das moças para uma diversão coletiva, em que observamos as garotas de programa trabalhando tal qual o garotinho do filme do Ferrara.

Diante de estilos diferentes de composição deste evento único, fica a sensação de que o filme de Ferrara soa tão simples quanto a mínima produção do coletivo de Minas. Simples porque o caos, o animalesco, esta sua força habitual, está presente da forma mais contida, ‘calma’, sem tanto peso como ao que foi visto antes em outros filmes de Abel Ferrara. Um cineasta de alma marginal desde sempre, esse talvez seja seu filme mais rústico, pequeno em aparência. Se o Estado de Sítio é, evidentemente, um filme de núcleo, uma declaração de amizade e parceria de seus cineastas, é também uma tentativa rara e necessária no cinema brasileiro de se encenar algo tão brutal. Falta ao filme um olhar mais forte, mais presença – e este incontornável olhar frontal de Abel.

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