The Chase (1946)

vlcsnap-2013-08-12-15h16m27s205

Bom, o Festim Diabólico – ou, mais um blog. Desde que fechei o Free as a weird, o blog que mantive entre 2001 e 2007, pulo de blog em blog, mas realmente sinto falta de um espaço onde eu possa escrever sobre o que quiser, definindo eu mesmo as pautas. Podem aparecer cá textos mais longos também, já que ando curtindo escrever textos mais gerais.

Sem maiores ideias para títulos, fui do meu Hitchcock pessoalmente favorito – não de fato o melhor, que é certamente O Homem Errado – que de alguma forma, algo virtuosa, inspirará os textos.
(Assim esperamos :))

vlcsnap-2013-08-21-03h46m21s103

The Chase, de Arthur D. Ripley (1946)

Pensei em iniciar com diversos filmes, mas fui adiando por muitos motivos. A cada hora, um parecia menos adequado. Foi aí que me arrisquei a ver este filme noir, meio sem informações quaisquer, pra ver no que dava. Ripley alcançou um certo status de cult para a geração dos anos 60/70, foi professor de cinema, e realizou um filme chamado Thunder Road, considerado pelo Hellman como um dos mais importantes do mundo. O curioso que sua carreira é realmente a margem, tendo realizado – fora o Thunder Road – apenas curtas e este longa. The Chase se inícia propondo um choque de poderes entre dois pólos de força: o desleal e imoral contra o correto e herói. O protagonista tem lá um pouco de ingenuidade, como de habitual nos filmes do gênero, mas é sua correção que lhe dá cor. É ético, trabalhador, foi da marinha, é como um escoteiro. Já o vilão, tem Peter Lorre como comparsa, o que já anúncia o terror que o cerca. Bate em empregados, o que torna seus negócios escusos quase indiferentes. O protagonista encontra sua carteira perdida, e como um bom sujeito, a leva de volta para o dono. É lá que ao perceber as qualidades do sujeito,  o vilão contrata o ex-militar como seu motorista. Até metade do filme, veremos uma série de situações limites, em que os personagens demonstram suas capacidades, onde ainda co-existem.

Há pelo menos duas ótimas cenas em que o cineasta usa brilhantemente o espaço, enclausurando personagens num canto escuro. Mas na média, não parecia algo de muito brilhantismo, apenas um charme bem realizado. E então o filme confunde um tanto os caminhos, e passa a ser indecifrável. O protagonista, um pilar do que se acredita certo, se revela um sujeito traumatizado, que confunde a realidade. No momento em que sua mente fragmenta-se, numa crise de ansiedade, o filme oferece uma série de situações, em que ele acredita já estar sendo perseguido por todos os lados, toma pilhas de remédio, que o tornam ao mesmo tempo intrigante e realmente esquisito. Naturalmente, uma mulher está no centro da loucura.

Todavia, não é ela quem manda nas ações. Ela apenas tem uma presença que causa toda a crise nesse atormentado sujeito. O interessante é que os pólos do começo se desfazem, na medida que o vilão torna-se desimportante diante da fragilidade mental que surge no herói.

Não se trata de um grande filme. Acho que ele tem uma estrutura dramática por demais caótica, embora em muitos momentos isso funcione a favor do personagem. Em todo caso é evidente o talento na construção de algumas grandes cenas, o que justificam o esforço de todos que realmente são cinéfilos em buscar o The Chase e os trabalhos desse cara.

Advertisements
This entry was posted in Cinema. Bookmark the permalink.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s