Inferno (1980)

Inferno (1980), de Dario Argento

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Andar pela Itália, fosse por Roma ou qualquer cidade menor, foi notar em cada espaço a possibilidade de se viver uma perseguição aos moldes de mestres maiores, como Sollima ou Argento. Existe algo de diferente nos becos italianos – cada um possui um bocado da decadência da civilização. A história assombra por todo lugar. Nas pequenas vilas, era possível ver as moças curiosas pelos livros misteriosos terminarem por correr os morros em desespero, perseguidas por forças ocultas, maiores e intocáveis aos homens.

Passei pela loja de Dario Argento, onde conheci seu sócio, o Luigi Cozzi, e adquiri alguns livros que eles editaram traduzidos para o inglês, sobre Fulci, Bava e Argento. Existiam lá em italiano livros sobre peplums, sobre o Fernando Di Leo, sobre filmes específicos aos montes – tinha até, obviamente neste caso em inglês, o livro do Tim Lucas, que deve ser um dos objetos mais cobiçados entre os fãs de cinema, sendo vendidos a 300 EUROS (mais de mil reais). Confesso que mesmo não lendo na lingua deles, cogitei levar alguns desses livros, pela imensa raridade de se ler material sobre essas figuras. Quando estava vendo os filmes do Di Leo, há alguns anos, tentei ver se existia literatura sobre o cara e a verdade que nem em inglês tem praticamente nada sobre seus filmes. Além de alguns outros filmes como o Corri Uomo, Corri, Zabriskie Point e Olhos na Boca, achei uma edição simples e barata do Inferno de Argento por lá. Comprei por menos de 5 EUROS.

E é simples a experiência de se encontrar com um grande filme. É interessante como o Argento não tem pressa pra construir essas imensas sequências, como a que copiei. Mesmo que já se saiba, de fato, aquilo que está por vir, ainda assim tudo deve acontecer de maneira perfeita, em cada detalhe, luz, expressão.

Interessante que o Inferno talvez seja o filme do Argento que mais se aproxime do instinto criativo do Fulci. Não que exista um estilo em comum, Argento e Fulci tem abordagens estéticas bem díspares, mas há algo mais bruto nesse filme, na forma de se criar sequências, da pura expressão de horror, que está mais para o cinema de Fulci que nos outros. As comparações eternas entre as obras destes cineastas podem ser preguiçosas, mesmo porque Argento nunca se posicionou como um artesão, sempre foi um artista ambicioso num sentido cênico – queria reconstruir prédios, abrir tetos de teatros – enquanto Fulci se orgulhava de ser um operário, segundo ele, como foram antes Hitchcock e Walsh. Esses instinto que Fulci tinha, para criar o universo do horror onde as coisas só podem ser desta maneira, onde é possível que coisas diferentes e que não pareçam coerentes com lógicas dramatúrgicas estejam em cena a todo o momento. O Inferno de Argento tem um tanto disso, de se trocar a todo momento de protagonista, de parar pra construir uma cena longa e lenta, como a do velho Kardashian, subitamente quase no clímax do filme.

Quando escapa da mansão do inferno, não há nada que reposicione o filme dramaturgicamente para o mundo ‘são’. Há apenas um breve olhar, exausto, talvez até melancólico, devolvendo-nos o fogo que arde ali dentro.

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