The Myth of the American Sleepover (2010)

The Myth of the American Sleepover (2010), de David Robert Mitchell

Scott_Twins

Revi esse filme meio ao acaso recentemente, alguns anos depois de tê-lo curtido na Mostra. Trata-se de uma comédia americana, independente, sobre adolescentes no último dia de verão. Algo entre a melancolia e a doçura, é um desses filmes com personagens aos montes, andando por um bairro de Detroit. Há um talento para construir esse universo, um mundo com seu próprio tempo e senso de humor. Não surpreende que apesar de algum sucesso quando apareceu por esses lados, o diretor não tenha tornado a fazer mais nada. O filme só é fácil sobre a ótica da candura com que tece o mundo desses meninos. Não é uma comédia esperta, não tem reviravoltas, não tem estrutura pós-moderna, e é um bom filme – o que é desafiante para um público avesso a tudo que não seja assim. Não existe histeria.

A ausência de um ponto de vista moral mais evidente é algo que faz falta ao filme, ainda que exista um confronto moral na história da menina que descobre a traição do namorado. Mesmo assim, o filme é mais sobre crise. Garotos, um com 20, outros com 15, atormentam-se por mulheres – e não pelo sexo, o que já me parece um avanço. A história do garoto que fica obcecado pela menina do supermercado e a do cara que surta com o rompimento e sai a caça de duas gêmeas que conhecera na escola são ambas conduzidas da mesma forma, como se mergulhassem em busca de direção. A história da menina que procura aventuras tem o diferencial de atitude. Ela toma pra si diversas iniciativas, prática que é. Diferente dos homens, que andam, vagam, e quando encontram suas mulheres, titubeiam ante o que procuravam. A habilidade de dar aos personagens um caráter apenas ao caracteriza-los em cena é outro mérito evidente. Nada que perdoe um desses vicios misteriosos do cinema contemporâneo, que é o ato de cortar para um plano aberto e distante no meio de uma sequência bonita de diálogo, apenas pelo medo de ficar longamente frente as faces. Falta, enfim, muita coisa para torna-lo um filme imprescindível, mas o vejo ainda muito acima da média do cinema em geral.

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