Fright Night e o processo da fé

O filme que colocou Tom Holland no universo dos realizadores de horror de relevância, é um dos mais notórios do gênero em um dos períodos mais férteis do cinema americano. Embora seja possível afirmar que nem se trate de fato de um filme de horror, se filiando estruturalmente mais as grandes aventuras noturnas que norteavam o imaginário ficcionista dos anos 80. Como Into the Night, Sem Licença para Dirigir e tantos outros filmes da época, Fright Night é uma aventura cheia de sombras e percalços, personagens céticos, cínicos, maníacos. O que dizer daquele personagem medonho que Holland cria para ser o “amigo” do protagonista Charlie Brewster, apelidado em momento feliz de EVIL. Somente o mau pode explicar sujeito tão abjeto quanto a performance sugere – não é um dos momentos mais agradáveis do filme, mas é coerente com sua proposta.

A despeito de ser um filme de ambição moderada, é fácil fazer uma leitura bem séria dos cacoetes aqui dispostos, como o vilão de Chris Sarandon, um sujeito cujo carisma seduz homens e mulheres. Ou o fato de que o filme consegue prover mistério mesmo jogando sempre com suas cartas abertas, já que sabemos desde a primeira cena que se trata de um vampiro a Drácula. O mistério aqui está na desesperança – é óbvio que só irão acreditar em Charlie no momento em que ele já estiver em desvantagem frente ao seu inimigo.

Roddy McDowall tem a marcante performance como Peter Cushing, recuperando certo ideal de star power que norteava as produções mais baratas de dentro da indústria. Sua iconoclastia, em conflito com a real inaptidão do personagem, é o ponto alto de um filme cheio de qualidades. Esta versão de Cushing terá de se refazer crente, acreditar que ele mesmo é aquele grande caçador de mortos-vivos. Neste processo de fé, Roddy McDowall se torna um pêndulo para o filme – é nele que reside a transformação. Somente encarando tornar-se seu próprio personagem, ele poderá expiar os elementos do mau que assombram este bairro comum da América; para isso, ele terá que realmente acreditar em algo maior, menos egoísta e mais puro, ao empunhar sua mais forte arma: a cruz.

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