Os Farrelly: a classe operária e o humor

fhd998SAM_Cameron_Diaz_034

O pouco sucesso de Debi e Lóide 2 entre a crítica em geral reforça uma ideia de que Hollywood é feita de ciclos, onde o que funciona em dado momento nem sempre reflete o que a indústria irá absorver em outro. Por tanto, o tempo condenada cineastas brilhantes que teimam em manter seu estilo. Foi o caso de John Landis, por exemplo. Assim como Landis em seu tempo, os Farrelly sempre foram incisivos, sempre tiveram postura, desafiaram padrões e momentos políticos da América.

Se Landis desafiou Ronald Reagan para um duelo, a lembrar a sequência de abertura de Os Espiões que Entraram Numa Fria, os Farrelly voltaram suas câmeras para a classe operária. Menos uma questão de público alvo, e mais uma postura sobre a quem se deve olhar. Seus filmes são sobre a classe operária, não no sentido progressista. Tome There’s Something About Mary. Um grupo de sujeitos comuns se encanta e usa qualquer atitude disponível para se manter atrelado a ela. O detetive particular, o entregador de pizza, o jogador de futebol. Igualados em cena ao abandonarem a dignidade em troca de uma obsessão pela mulher perfeita. A maneira como se constrói esse micro universos, os fracassos, as pequenas relações.

Os Farrely valorizam o cotidiano, a rotina, para encontrar nessas brechas mundanas seu espaço para o humor. A pateticidade, desajeitado, aquilo que toma conta dos personagens, produzindo suas atitudes, espasmos, motivando uma ação física que constitui no humor mais puro. O que é mais farrellyano do que a senhora que mora com Mary, ou Don, o ex-jogador de futebol de sucesso na escola transformado numa psicótico ex-namorado, obcecado pelos sapatos de Mary.

A ideia de comunidade, coletivo de pessoas dispostas a viverem num espaço, numa vizinhança, num determinado modo de vida, é o que permeia esse universo. Cada personagem pertence a este mundo, a este lugar, a esta comunidade. Se em Mary há um tanto de estilo fabular, com as inserções musicais e tudo mais, é apenas a sua maneira de definir, colorir esse universo. Norm, o entregador de pizza, transformado em Tucker, o arquiteto. Quando postos frente a frente, ele e Pat Healy, o canastrão, interpretado por Matt Dillon, logo encontram um respeito mútuo. Como não entender alguém que faria qualquer coisas para estar perto de Mary?

Advertisements
This entry was posted in Cinema. Bookmark the permalink.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s